segunda-feira, 22 de dezembro de 2014

PUTIN, O PETRÓLEO E O RUBLO

Putin, o petróleo e o rublo

Os olhos venenosos do imperialismo começaram a prestar atenção em Vladimir Putin quando no seu primeiro mandato ele tomou providências para recuperar, em boa medida, o controle do estado russo sobre o petróleo e o gás. Houve quem desprezasse no campo da esquerda. Mas, hoje, já não há dúvidas de que o ex-coronel da marinha é o principal alvo das operações do imperialismo, sobretudo a partir da constatação de que há clara e inequívoca preparação de guerra dos EUA contra a Russia, a pretexto da Ucrânia.
 
Recentemente, Putin tem aplicado uma estratégia de unificação de um campo anti-imperialista, seja por meio de acordos energéticos e militares com a China (realizaram-se as primeiras manobras militares sino-russas), mas também a partir da decisão de defender a Síria, para o que tem sido importantíssima, também, uma cooperação crescente, inclusive militar, com o Irã, outro defensor dos sírios e já com presença militar naquele país.  Há informações de que a Rússia, extra-oficialmente, se autocritica por não ter defendido da mesma forma a Líbia de Kadafi, ocupada pela Otan, com apoio de intelectuais europeus.
 
Ante desvalorização artificial do petróleo, afetando acordos energéticos russos com inúmeros países, anuncia-se que a partir de janeiro o petróleo e o gás da Rússia somente serão comercializados em rublo. É um ataque frontal ao petrodólar, artificialmente emitido, sem lastro, aceito como moeda internacional face ao lastro-nuclear com que os EUA ameaçam o mundo. Mas, além da riqueza física energética, a Rússia também tem capacidade nuclear e já declarou que vai usá-la para defender-se.
 
 O cenário exige uma evolução do posicionamento dos Brics para a esfera militar, já que todos são afetados pela emissão sem lastro do dólar e desvalorização do hidrocarburo.  Há sinais de que a cooperação entre estes países tende a expandir-se, haja vista os acordos da Rússia com a Argentina, Venezuela, Bolívia, Cuba, Equador. E também com o Brasil, seja na compra de armas, seja no anúncio de que os russos podem instalar aqui uma fábrica de aviões. Uma nova cúpula dos Brics é urgente!
 
Beto Almeida

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