sábado, 16 de maio de 2015

A COLETIVIZAÇÃO E O "HOLOCAUSTO UCRANIANO" (IV)


A consigna dos hitlerianos

 

 

«Contra Hitler e contra Stáline», tal foi a consigna sob a qual antigos hitlerianos e a

CIA uniram os seus esforços. Os mais desprevenidos poderão pensar que a fórmula

«contra o fascismo e contra o comunismo» é uma espécie de «terceira via», mas não é nada disso. Na verdade, após a derrota nazi, esta fórmula juntou os antigos partidários da Grande Alemanha e os seus sucessores americanos, que visavam a hegemonia mundial.

 

Como Hitler foi relegado ao passado, a extrema-direita alemã, ucraniana, croata, etc., uniu-se à extrema-direita americana. Uniram esforços contra o socialismo e contra a União Soviética, que tinha carregado o peso essencial da guerra antifascista. Para reunirem todas as forças burguesas, cobriram o socialismo com um dilúvio de mentiras, afirmando que era pior que o nazismo. A fórmula «contra Hitler e contra Stáline» serviu para a fabulação dos «crimes» e «holocaustos» de Stáline, para melhor camuflar e, em seguida, negar terminantemente os crimes monstruosos e os holocaustos de Hitler.

Em 1986, os veteranos do Exército Insurrecional Ucraniano, os mesmos que

afirmaram ter lutado «contra Hitler e contra Stáline», publicaram um livro intitulado Por Que Valerá Mais Um Holocausto Que Outro?, escrito por um antigo membro do EIU, Iúri Chumátski. Lamentando que «historiadores revisionistas neguem a existência de câmaras de gás e afirmem que menos de um milhão de judeus foram mortos ou foram perseguidos», Chumátski acrescenta: «Segundo as

 

declarações dos sionistas, Hitler matou seis milhões de judeus, mas Stáline, apoiado pelo aparelho de Estado judeu, conseguiu matar dez vezes mais cristãos32

 

As fontes fascistas de Conquest

 

Se, em Harvest of Sorrow, Conquest recupera a versão da história dos nazis

ucranianos é porque os antigos efectivos da divisão Waffen-SS Galitchina e do Exército Insurrecional Ucraniano lhe forneceram o essencial das suas «fontes» sobre a «fome genocida » de 1932-1933!

Eis as provas. O segundo capítulo, a parte crucial de Harvest of Sorrow, intitula-se «A fome dá raiva». Contém uma lista impressionante de 237 referências. Mas um olhar um pouco mais atento mostra-nos que mais da metade conduzem a emigrados de direita ucranianos. A obra dos fascistas ucranianos Black Deeds of the Kremlin está citada  55 vezes!

No mesmo capítulo, Conquest cita 18 vezes o livro The Ninth Circle, de Olexa

Woropay, publicado em 1953 pelo movimento juvenil da organização fascista de Stepan Bandera. O autor apresenta a sua biografia detalhada nos anos 30, mas nada diz sobre as suas atividades durante a ocupação! Uma confissão mal disfarçada do seu passado nazi.

Recomeça a sua biografia em 1948, na cidade Munique, onde muitos fascistas ucranianos encontraram refúgio. Foi lá que entrevistou ucranianos sobre a «fome-genocídio» de 1932-1933. Nenhuma das «testemunhas» está identificada, o que torna o trabalho desprovido de qualquer caráter científico. Nada nos diz sobre a atividade das testemunhas durante a guerra, o que levanta a hipótese provável de se tratar de nazis ucranianos em fuga que «revelam a verdade sobre o stalinismo.»33

Beal, que colaborou com a polícia americana e escreveu na imprensa pró-nazi de

 

 

Hearst, é citado cinco vezes por Conquest. Krávtchenko, emigrado anticomunista, serviu duas vezes de fonte, Lev Kópelev, outro emigrado russo, cinco vezes. Entre as referências científicas, figura em lugar destacado um romance de Grossman, ao qual Conquest se refere 15 vezes.

Conquest cita as entrevistas do Projet Refugies de Harvard, financiado pela CIA. Cita o Comitê do Congresso sobre a Agressão Comunista do tempo de MacCarthy, o livro nazi de Ewald Ammende, publicado em 1936. Conquest refere-se cinco vezes a Eugène Lyons e a William Chamberlain, dois homens que exerceram funções no comité de direção da Radio Liberty, a estação da CIA.

 

Na página 244, Conquest cita «um americano» que viu pessoas famintas «numa aldeia a 30 quilómetros a Sul de Kíev»: «Numa cabana, ferviam uma porcaria que era impossível de descrever». Referência: New York Evening Journal, 18 de Fevereiro de 1933. Na realidade, trata-se do artigo de Thomas Walker na imprensa de Hearst, publicado em 1935! Conquest alterou deliberadamente a data do jornal para que coincidisse com a fome de 1933. Conquest não identifica o americano: receou que alguém se recordasse que Thomas Walker era um falsificador que nunca pôs os pés na Ucrânia.

Conquest é um falsificador.

Para justificar a utilização de livros de emigrados relatando boatos e rumores,

Conquest declarou: «Desta forma, a verdade não pode ser filtrada senão sob a forma de boatos» e «sobre questões políticas, a melhor fonte – apesar de não ser infalível – é o rumor».34 Isto é elevar a intoxicação, a desinformação, as mentiras fascistas ao nível da respeitabilidade acadêmica.

 

 

As causas da fome na Ucrânia

 

Em 1932-1933 houve fome na Ucrânia. Mas foi provocada principalmente pela luta de morte que a extrema-direita ucraniana moveu contra o socialismo e contra a

coletivização da agricultura. No decurso dos anos 30, esta extrema-direita ligada aos hitlerianos já tinha utilizado a fundo o tema da «fome provocada deliberadamente para exterminar o povo ucraniano». Após a II Guerra Mundial esta propaganda foi «ajustada» com o objetivo principal de encobrir os crimes cometidos pelos nazis e mobilizar as forças do Ocidente contra o comunismo.

Com efeito, desde o começo dos anos 50, a realidade do extermínio de seis milhões de judeus impôs-se ante a consciência mundial. A extrema-direita mundial tinha

necessidade de uma quantidade superior de mortos «vítimas do terror comunista». E, em 1953, o ano do macartismo triunfante, assistiu-se a um crescimento espetacular do número de mortos na Ucrânia durante a fome ocorrida 20 anos antes. Como os judeus tinham sido mortos de forma deliberada, científica, era necessário que «o extermínio» do povo ucraniano tomasse também a forma de um genocídio cometido a sangue frio. A extrema-direita, que nega com convicção o holocausto dos judeus, inventa então o holocausto ucraniano!

A fome de 1932-1933 na Ucrânia teve quatro causas. Antes de mais foi provocada pela verdadeira guerra civil desencadeada pelos kulaques e os elementos reacionários contra a coletivização da agricultura.

 

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